Saúde

Profissionais da saúde cobram data-base esquecida pelo governo Clécio

Profissionais da saúde do Amapá voltaram às ruas nesta quinta-feira (9) em um ato de protesto em frente à Assembleia Legislativa do Estado (Alap), em Macapá. A mobilização foi organizada pelo Sindicato de Enfermagem e Trabalhadores da Saúde do Amapá (Sindesaúde-AP) e teve como principal pauta a cobrança pelo pagamento da data-base da categoria.

Durante a manifestação, trabalhadores levaram faixas e cartazes com críticas ao governador Clécio Luís, cobrando o cumprimento do reajuste anual previsto em lei. O ato reforça a insatisfação da categoria diante da falta de reposição salarial nos últimos dois anos.

Lideranças sindicais afirmam que os profissionais da saúde têm sido negligenciados, apesar do discurso oficial de prioridade ao setor. A vice-presidente do Sindesaúde, Alcilene Furtado, criticou a ausência de medidas concretas por parte do governo.

“O governo diz que a saúde é prioridade, mas esquece de quem faz a saúde acontecer, que são os trabalhadores”, afirmou.

Os manifestantes também direcionaram críticas ao Legislativo estadual, apontando que, em votações recentes, benefícios como reajustes e auxílio-alimentação foram aprovados sem contemplar os servidores da saúde.

O presidente do sindicato, Kliger Campos, destacou que há uma confusão proposital entre reajuste e realinhamento salarial. Segundo ele, o que foi implementado pelo governo não corresponde à reposição inflacionária anual garantida por lei.

“A gente precisa esclarecer: reajuste é a data-base, prevista em lei. Já o realinhamento é uma reestruturação da tabela salarial. O que houve foi a devolução de perdas anteriores, não um aumento real”, explicou.

Na terça-feira (7), o Sindesaúde-AP publicou uma nota nas redes sociais manifestando “veemente repúdio” à decisão do governo de não conceder o reajuste anual aos servidores da saúde. De acordo com o documento, a entidade recebeu resposta oficial informando que a data-base não será paga, deixando a categoria, pelo segundo ano consecutivo, sem o reajuste.

O sindicato também rebate a alegação de que houve aumento salarial em 2025, afirmando que o que ocorreu foi a devolução parcial de valores relacionados à Gratificação de Atividade em Saúde (GAS), incorporada de forma considerada equivocada anteriormente, o que teria gerado prejuízos financeiros aos trabalhadores.

Ainda segundo a nota, esses valores estão sendo pagos de forma parcelada até 2027, com base na Lei nº 3.284/2025, caracterizada como uma medida de realinhamento salarial — e não como reajuste.

A entidade também questiona a legitimidade de supostos acordos firmados com outros sindicatos e cobra o pagamento imediato das datas-bases de 2025 e 2026, além da reposição das perdas acumuladas. Ao final da nota, o Sindesaúde faz um alerta direto à categoria para que não confie nas informações divulgadas pelo governo estadual sobre o tema.

Confira na íntegra a nota publicada pelo sindicato:

O Sindicato de Enfermagem e Trabalhadores da Saúde do Amapá (SINDESAÚDE-AP) vem a público manifestar seu mais veemente repúdio à negativa do Governo do Estado em conceder o reajuste anual aos servidores da saúde.

O SINDESAÚDE recebeu, na data de hoje (07/04/2026), a resposta do Governo acerca da data-base dos servidores da saúde. Por meio do Secretário de Saúde, o Governo afirmou que não cumprirá a lei, deixando, pelo segundo ano consecutivo, a categoria sem o reajuste anual.
Ainda segundo o Governo, em 2025 foram concedidos reajustes com vigência até o ano de 2027, supostamente acordados com os sindicatos.

Primeiramente, o SINDESAÚDE não firmou qualquer acordo com o Governo, que optou por negociar às portas fechadas com sindicatos que não possuem número de sindicalizados suficiente para representar legitimamente a segunda maior categoria de trabalhadores do Estado, excluindo o SINDESAÚDE das negociações.

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