Saúde

Protagonismo de Rayssa Furlan marca avanços no cuidado a crianças com TEA em Macapá

No mês do Abril Azul, dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), Macapá relembra avanços importantes na assistência a crianças e famílias atípicas. Nos últimos anos, durante a gestão municipal, uma das figuras centrais nessa pauta foi a médica e ex-primeira-dama Rayssa Furlan, que liderou iniciativas voltadas ao acolhimento, diagnóstico e tratamento de pessoas com autismo na capital.

Em entrevista exclusiva à jornalista Mônica Peixoto, do Portal 1 Norte, Rayssa falou de forma sensível sobre o que a motivou a encabeçar essa causa. Mãe atípica, ela compartilha a vivência pessoal como ponto de partida para sua atuação pública.

“Meu filho foi diagnosticado com autismo ainda pequeno, e isso mudou completamente minha forma de enxergar essa realidade. Como médica, também vivenciei no dia a dia crianças que precisavam de suporte e não conseguiam acesso. Foi daí que nasceu essa vontade de fazer mais”, relatou.

Clínica Escola Coração Azul: acolhimento e desenvolvimento

Um dos principais marcos dessa atuação foi a criação da Clínica Escola Coração Azul, inspirada em modelos já existentes em outras cidades. A proposta trouxe para Macapá um atendimento estruturado e multidisciplinar, voltado ao desenvolvimento de crianças com TEA.

Hoje, o projeto atende centenas de famílias e se consolidou como referência no município. A expansão do serviço, inclusive com uma segunda unidade na Zona Norte, ampliou o alcance e facilitou o acesso de quem mais precisa.

“Vimos que a demanda era muito grande. Fomos buscar experiências fora e adaptamos para a realidade de Macapá. Hoje conseguimos atender mais de 700 crianças e suas famílias”, destacou.

TEAtendemos: reduzindo filas e acelerando diagnósticos

Outra iniciativa de destaque foi o projeto TEAtendemos, criado para enfrentar um dos maiores desafios das famílias: a demora no diagnóstico. Antes, muitas crianças aguardavam anos por um laudo que possibilitasse o início do tratamento.

Com mutirões e uma equipe multiprofissional, incluindo neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, o programa conseguiu dar celeridade aos atendimentos e reduzir significativamente a fila de espera.

“Tinham crianças esperando há mais de 10 anos por um laudo. Isso é muito tempo. O diagnóstico precoce muda completamente a vida dessas famílias”, pontuou Rayssa.

Cuidando de quem cuida

Além do olhar voltado às crianças, a gestão também incluiu ações direcionadas às mães atípicas, muitas vezes sobrecarregadas emocionalmente. O projeto “Cuidando de Quem Cuida” ofereceu suporte psicológico e acolhimento para essas mulheres.

“Elas deixam suas vidas de lado para cuidar dos filhos. Precisam também ser cuidadas, acolhidas e ouvidas”, afirmou.

Desafios e futuro

Apesar dos avanços, Rayssa reconhece que ainda há muito a ser feito. O aumento constante de diagnósticos de TEA exige a ampliação da rede de atendimento, mais profissionais especializados e políticas públicas contínuas.

“A gente sabe que ainda é pouco diante da demanda. O autismo não termina na infância, então precisamos pensar também em adolescentes e adultos, além de investir na formação de profissionais”, destacou.

Com mais de mil crianças diagnosticadas na rede municipal de ensino, o tema segue como um dos grandes desafios da saúde e da educação em Macapá. Ainda assim, as iniciativas implantadas nos últimos anos deixaram um legado importante, especialmente para quem vive diariamente a realidade do autismo.

No Abril Azul, histórias como a de Rayssa Furlan mostram que políticas públicas, quando aliadas à empatia e experiência de vida, podem transformar realidades e oferecer mais dignidade a centenas de famílias.

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