Política

Resgate de denúncias antigas sinaliza estratégia política articulada contra Dr. Furlan para 2026

O ressurgimento de denúncias antigas envolvendo o grupo político do prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB), tem dado o tom do que deve ser a estratégia de seus opositores na disputa pelo Governo do Amapá em 2026. Com alto índice de aprovação popular e figurando na liderança das principais pesquisas de intenção de voto antes mesmo de oficializar uma candidatura, Furlan passou a ser visto como um obstáculo real aos planos do atual governador, Clécio Luís (Solidariedade), de se manter no poder.

As denúncias “resgatadas” essa semana repercutiram quase que simultaneamente em sites, blogs e perfis que, historicamente, apoiam o grupo político do qual o governador Clécio Luís faz parte. Essa simetria, segundo alguns especialistas, deixa ainda mais evidente que se trata de ataques previamente articulados.

Outra questão que chama a atenção é que o caso surge logo após vir à tona a proposta de delação premiada do empresário Roberto Leme da Silva, o Beto Louco, que afirmou ter desembolsado R$ 2,5 milhões a pedido do senador Davi Alcolumbre para viabilizar a apresentação do cantor Roberto Carlos no Reveillon do Amapá, em 2024. Beto Louco é apontado como um dos comandantes do esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis.

Nos bastidores da política amapaense, a leitura é de que o fortalecimento de Furlan tende a intensificar ataques políticos, incluindo o resgate de acusações já conhecidas e, possivelmente, o aumento de disputas no campo judicial. Trata-se de uma estratégia recorrente em períodos pré-eleitorais, utilizada para tentar desgastar adversários que despontam com vantagem junto ao eleitorado.

Esse movimento, segundo aliados de Furlan, não se restringe apenas ao prefeito. Apoiadores e integrantes do seu grupo político também estariam sendo alvo de ações judiciais movidas por figuras ligadas ao governo estadual. A expectativa é de que esse cenário se acirre ao longo de 2026, quando a disputa entre Furlan e Clécio Luís deve se consolidar nas urnas.

É importante lembrar que, na última pesquisa divulgada pelo instituto Real Time Big Data, o prefeito de Macapá aparece com ampla vantagem em um dos cenários testados para a eleição ao Governo do Amapá. O levantamento, divulgado na terça-feira (9), deu a Furlan 70% das intenções de votos, o que reforça a percepção de que ele surge como favorito, ampliando a tensão no tabuleiro político estadual.

Para o advogado Fabiano Oliveira, ouvido pelo site Ponto da Pauta, as ações e representações que vêm sendo apresentadas não trazem fatos novos relevantes. Segundo ele, o que se observa é um padrão típico de períodos pré-eleitorais. “Trata-se do uso do Judiciário como instrumento de desgaste político, um fenômeno já conhecido como judicialização da política”, avaliou.

As denúncias e ataques também foram alvo de críticas do deputado estadual R. Nelson Vieira, uma das vozes mais atuantes na fiscalização do Governo do Amapá na Assembleia Legislativa (Alap). O parlamentar questionou o tratamento desigual dado a casos semelhantes e lamentou que a mesma rigidez adotada na exposição de denúncias contra Furlan não seja aplicada a outros agentes políticos.

Em publicação nas redes sociais, R. Nelson chamou atenção para o contraste entre a repercussão local e nacional de denúncias envolvendo diferentes atores políticos. Segundo ele, enquanto denúncias divulgadas pela imprensa nacional, que não têm relação com o prefeito de Macapá, recebem pouco destaque no estado, parte significativa da mídia local passou a noticiar, de forma quase simultânea, acusações referentes às eleições de 2020, ocorridas há mais de cinco anos, “como se houvesse algo novo”.

O cenário evidencia que a disputa pelo Governo do Amapá em 2026 já começou nos bastidores. Com pesquisas favoráveis e crescente projeção estadual, Dr. Furlan deve continuar no centro do debate político, enfrentando não apenas o embate eleitoral, mas também uma disputa narrativa que promete se intensificar à medida que o pleito se aproxima.

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