Aos 100 dias de gestão, Pedro DaLua acumula crises na saúde, educação e obras paradas em Macapá
O prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua, completa nesta semana 100 dias à frente da administração municipal em meio a uma série de desafios e críticas em áreas consideradas prioritárias pela população, como saúde, educação e infraestrutura.
Empossado após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Pedro DaLua assumiu o comando da Prefeitura de Macapá sem ter sido eleito para o cargo de prefeito nas urnas. Desde então, sua gestão tem enfrentado cobranças de sindicatos, ações do Ministério Público e reclamações de servidores e usuários dos serviços públicos.
Crise na saúde
Na área da saúde, os principais problemas apontados nos primeiros cem dias de governo envolvem atrasos em pagamentos de servidores, denúncias de falta de medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), interrupções de serviços odontológicos e mudanças administrativas que geraram insatisfação entre os profissionais da rede.
Recentemente, o Sindicato dos Enfermeiros e Trabalhadores da Saúde do Amapá (Sindesaúde-AP) cobrou providências da Prefeitura de Macapá diante do atraso no pagamento de verbas trabalhistas, como adicional noturno e horas extras. Segundo a entidade, a gestão municipal atribuiu os atrasos a mudanças no sistema de gerenciamento da folha de pagamento.
Agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e trabalhadores da Estratégia Saúde da Família também realizaram uma paralisação em frente à prefeitura, reivindicando o pagamento do piso salarial nacional, regularização de benefícios, férias e outras pendências administrativas.
Além disso, profissionais da rede municipal denunciaram o atraso no pagamento de plantões extras realizados ainda no mês de fevereiro, situação que, segundo os trabalhadores, gerou dificuldades financeiras e até problemas para o deslocamento aos locais de trabalho.
Educação enfrenta falta de profissionais e problemas na merenda
Na educação, a gestão municipal também enfrentou dificuldades logo no início do ano letivo. A falta de cuidadores, professores auxiliares e intérpretes de Libras motivou uma Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP) contra a Prefeitura de Macapá e o Governo do Estado.
Segundo a Promotoria de Justiça de Defesa da Educação, diversas tentativas de solução administrativa não tiveram resposta efetiva, levando o órgão a recorrer ao Judiciário para garantir atendimento especializado a dezenas de estudantes com deficiência e necessidades específicas.
A administração municipal também foi alvo de críticas em razão de problemas relacionados à alimentação escolar e ao atraso na contratação de profissionais, fatores que impactaram o início das aulas e o atendimento de centenas de estudantes da rede pública.
Obras sem entregas e infraestrutura parada
Outro ponto de cobrança à gestão de Pedro DaLua é a ausência de novas entregas de obras e de anúncios de investimentos estruturantes para a capital.
Obras aguardadas pela população, como as intervenções na Praça do Coco e na Praça Barão do Rio Branco, seguem sem conclusão, enquanto moradores também reclamam de problemas na coleta de lixo e da falta de avanços em áreas de infraestrutura urbana.
Aliado político do governador Clécio Luís, Pedro DaLua ainda não conseguiu apresentar uma agenda de grandes entregas ou novos projetos para a capital nesses primeiros cem dias de administração.
Desafio de conquistar a população
Ao completar 100 dias de gestão interina, Pedro DaLua enfrenta o desafio de responder às críticas e apresentar resultados concretos em áreas essenciais para os moradores de Macapá. E ainda convive com a sombra da gestão de Dr. Furlan, que é bem avaliada pela população.
Com cobranças crescentes de sindicatos, ações judiciais e insatisfação em setores da administração pública, os próximos meses serão decisivos para que a gestão consiga reverter a percepção de estagnação e apresentar soluções para os problemas acumulados na capital amapaense.



