Fundesa deixa médicos sem pagamento e crise se agrava na transição para gestão privada da saúde
A crise na saúde pública do Amapá ganhou mais um capítulo nesta semana após médicos da Unidade Estadual de Internação (UEI) denunciarem, de forma anônima ao Portal 1 Norte, que a Fundação de Saúde Amapaense (Fundesa) não realizou o pagamento dos salários referentes ao mês de novembro de 2025. O período corresponde ao último mês de gestão da Fundesa, que foi substituída por uma empresa privada na administração das unidades.
O novo atraso se soma a um histórico recorrente de descumprimento contratual enfrentado pelos profissionais de saúde ao longo do ano. Em setembro e outubro de 2025, médicos que atuam na UPA da Zona Sul, na própria UEI e no Anexo do Hospital de Emergência de Macapá já acumulavam dois meses de salários em atraso, situação que culminou na paralisação total dos atendimentos eletivos no dia 24 de janeiro.
À época, a decisão foi formalizada em documento encaminhado ao Governo do Estado, à própria Fundesa e ao Conselho Regional de Medicina do Amapá (CRM-AP). No texto, os profissionais destacaram que a paralisação tem amparo legal e ético, conforme previsto na Constituição Federal, na Lei de Greve e no Código de Ética Médica, diante do descumprimento contratual e da violação da dignidade profissional.
Mesmo com a suspensão das atividades regulares, os médicos mantiveram os atendimentos de urgência e emergência, classificados como casos vermelhos e laranja, conforme os protocolos médicos. Consultas ambulatoriais, procedimentos eletivos e demais atendimentos permaneceram suspensos por tempo indeterminado.
Transição de gestão
Novembro foi o último mês em que a Fundesa foi responsável pela administração das unidades estaduais. Agora, esse trabalho é realizado pela empresa privada Mediall. Segundo os médicos, a Fundesa deixou o comando sem quitar os débitos pendentes.



