EconomiaPolítica

Lula questiona investimento do Amapá no Banco Master e cobra apuração

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o governo federal vai “a fundo” na investigação do escândalo envolvendo o Banco Master e questionou diretamente os investimentos feitos por estados, entre eles o Amapá, na instituição financeira. A declaração foi dada durante entrevista ao Portal UOL e amplia a repercussão política do caso, que já é alvo de investigações da Polícia Federal e pode ser analisado por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional.

“Vamos a fundo nesse negócio [o escândalo do Banco Master]. Queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro, do estado do Amapá, colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Master e o BRB? Quem está envolvido?”, disse Lula, ao comentar as suspeitas que cercam as operações do banco e sua relação com instituições públicas.

No caso do Amapá, o investimento citado pelo presidente diz respeito a aplicações feitas pela Amapá Previdência (Amprev), responsável pela gestão do regime próprio de previdência dos servidores estaduais. Em 2024, já na gestão do governador Clécio Luís, a Amprev aplicou cerca de R$ 400 milhões em operações do Grupo Master, valor equivalente a aproximadamente 4,7% de todo o patrimônio do fundo previdenciário do Estado.

O volume expressivo colocou o Amapá como o segundo maior investidor do país entre os fundos previdenciários que adquiriram Letras Financeiras do Banco Master, ficando atrás apenas do estado do Rio de Janeiro. A revelação ganhou ainda mais peso após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Master, em meio a suspeitas de fraudes bilionárias, o que resultou em um impacto estimado de cerca de R$ 40 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

As declarações de Lula ocorrem em um momento de forte pressão política por esclarecimentos. A oposição no Congresso protocolou pedido de criação de uma CPMI para investigar o caso, cuja instalação depende de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O envolvimento de recursos de fundos previdenciários estaduais, que lidam diretamente com o dinheiro de trabalhadores e servidores públicos, tem sido um dos pontos centrais das críticas e dos questionamentos.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo