“Pensei nos meus filhos”: empresário relembra resgate de três crianças no Rio Amazonas
Dias depois de protagonizar um resgate que evitou uma possível tragédia na orla do bairro Perpétuo Socorro, em Macapá, o empresário Frank Silva, de 52 anos, relembrou ao Portal 1 Norte os momentos de tensão que viveu ao entrar nas águas do Rio Amazonas para salvar três crianças que estavam sendo levadas pela correnteza.
Dono de um restaurante na região, Frank trabalhava normalmente naquele momento, mesmo com o movimento intenso do fim de semana. Em meio à rotina do estabelecimento, algo chamou sua atenção no rio.
De longe, ele percebeu três pequenas cabeças surgindo e desaparecendo entre as ondas. “Mesmo com o restaurante cheio, eu consegui ver três pessoas lá no rio. Depois a gente percebeu que eram três crianças, tentando se segurar em pedaços de isopor”, contou.
A decisão de agir
As crianças brincavam e nadavam próximo à rampa da orla quando a maré começou a subir. Com o aumento do nível da água, elas passaram a ser levadas pela correnteza.
Ao perceber que os meninos estavam cada vez mais cansados e em dificuldade para se manter na superfície, Frank não pensou duas vezes. A motivação veio de um pensamento imediato: imaginar seus próprios filhos naquela situação. “Pensei nos meus filhos. Se fosse com eles, gostaria muito que alguém ajudasse”, relatou. Foi então que ele entrou no rio e começou a nadar em direção às crianças.
Um resgate difícil
A correnteza estava forte e a distância até onde estavam as crianças era grande. Mesmo assim, o empresário conseguiu alcançá-las. Ao chegar perto, a primeira orientação foi essencial para garantir a segurança de todos.
“Eu pedi para eles não me agarrar, porque se eles me agarrassem provavelmente a gente morria os quatro juntos. Eu disse: ‘não me agarra que eu vou levar vocês para a beira’”, lembrou.
Uma das crianças, a mais velha, conseguiu nadar parte do caminho até a margem. Já as duas menores, com cerca de 6 anos, foram conduzidas por ele até um ponto seguro.
Durante o trajeto de volta, o esforço foi grande. Frank conta que chegou a engolir água e sentiu o cansaço antes mesmo de alcançar a margem.
Mesmo assim, manteve a calma e continuou nadando até que todos estivessem em segurança. “Coloquei um de cada lado e fui trazendo devagar até a beira”, contou.
Um gesto que veio do coração
Depois do resgate, as crianças foram entregues aos responsáveis e passam bem. O episódio terminou sem feridos, mas deixou uma lembrança forte para quem presenciou a cena.
Para Frank, o que aconteceu foi apenas um impulso guiado pelo coração. Pai de crianças pequenas, ele diz que agiu como qualquer pessoa gostaria que alguém agisse por seus filhos.
“Foi um ato de coração mesmo, para ajudar. Eu nem conheço as crianças ou os pais, mas não podia deixar aquilo acontecer”, afirmou ao Portal 1 Norte.
O gesto simples, mas cheio de coragem, transformou um momento que poderia terminar em tragédia em uma história de solidariedade e esperança às margens do maior rio do mundo.



