Clécio Luís evita associação pública com Pedro DaLua em meio a cenário eleitoral
O governador do Amapá, Clécio Luís, tem adotado uma postura discreta, para não dizer distante, em relação ao prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua. A ausência de registros públicos conjuntos entre os dois chama atenção, sobretudo quando comparada à frequência com que o chefe do Executivo estadual aparece ao lado de outros prefeitos do estado, especialmente aqueles alinhados ao seu grupo político.
Nas redes sociais, Clécio mantém uma agenda ativa de encontros institucionais, visitas e parcerias com gestores municipais. No entanto, o mesmo não se observa em relação à capital. Não há fotos, vídeos ou menções relevantes que evidenciem proximidade política ou administrativa com DaLua — um contraste que tem sido interpretado nos bastidores como um movimento calculado.
O distanciamento ocorre em um momento sensível. Em ano eleitoral, Clécio Luís deve enfrentar o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan, que desponta como um adversário competitivo e com índices mais favoráveis junto ao eleitorado. Diante desse cenário, a associação com uma gestão interina fragilizada pode representar um risco político.
A administração de Pedro DaLua, ainda que recente, já acumula críticas contundentes. Moradores relatam problemas visíveis na cidade, como o acúmulo de lixo em vias públicas, paralisação de obras e ausência de entregas concretas. A percepção de desorganização administrativa tem impactado negativamente a imagem da gestão, contribuindo para uma baixa aceitação popular.
O episódio recente de um áudio vazado envolvendo DaLua e o senador Davi Alcolumbre reforça ainda mais essa leitura de bastidores. Na gravação, o prefeito interino adota um tom de clara subserviência ao governador, afirmando que teria articulado a aprovação das contas de Clécio na Câmara Municipal, da época que o goernador ainda era prefeito, e que teria recebido orientações diretas do chefe do Executivo estadual para atacar politicamente Dr. Furlan em áreas estratégicas da gestão.
Apesar dessa postura alinhada, ao menos no discurso captado pelo áudio, o que se observa publicamente é o oposto: Clécio Luís não retribui com gestos de proximidade. Até o momento, DaLua não tem recebido respaldo visível do governador, mas sim um silêncio interpretado por aliados e analistas como indiferença.
Embora não haja declarações oficiais que confirmem esse afastamento, a comunicação, a falta dela, fala por si. Em política, gestos públicos costumam ser tão reveladores quanto discursos.



