Política

Colunista do “O Globo” expõe bastidores da fraude no INSS e papel de Davi Alcolumbre

A prisão do número dois do Ministério da Previdência, no âmbito da operação da Polícia Federal que investiga a chamada máfia do INSS, teve forte repercussão política e ganhou novos contornos após análise publicada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A investigação, que apura um esquema de descontos ilegais responsável por um prejuízo estimado em mais de R$ 6 bilhões a aposentados e pensionistas, passou a levantar questionamentos diretos sobre o papel de figuras centrais do Congresso Nacional, entre elas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Segundo a coluna, a operação da PF não apenas revelou a profundidade do esquema criminoso instalado no INSS, como também ajuda a explicar uma decisão considerada atípica tomada por Alcolumbre: o sigilo de 100 anos imposto sobre os registros de visitas de Antônio Camilo Antunes, conhecido como o “careca do INSS”, às dependências do Senado Federal.

Desde a instalação da CPI do INSS, em agosto, parlamentares já apontavam que Antônio Camilo mantinha relações próximas com políticos de diferentes esferas. Para os investigadores e membros da comissão, o acesso às informações sobre essas visitas era fundamental para identificar quem dialogava, negociava ou eventualmente dava sustentação política ao esquema. Ainda assim, a Presidência do Senado barrou a divulgação dos dados e decretou sigilo total.

Operação lança luz sobre articulações políticas

De acordo com informações destacadas por Malu Gaspar, a ofensiva da Polícia Federal aponta o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula, como um dos principais alvos políticos da investigação. Conforme a PF, Weverton teria atuado como sustentáculo político e sócio oculto da organização criminosa que desviou recursos de aposentados.

O número dois do Ministério da Previdência, preso na operação, teria sido chefe de gabinete do senador, e o filho de Weverton continuava lotado em seu gabinete, segundo a investigação. A PF também apura indícios de que o parlamentar teria recebido recursos do grupo criminoso e utilizado um avião particular pertencente a Antônio Camilo Antunes.

Relação com Alcolumbre entra no foco

O ponto central destacado pela colunista é a proximidade política entre Weverton Rocha e Davi Alcolumbre. No Senado, Weverton é considerado um dos principais aliados do presidente da Casa, atuando como uma espécie de braço direito em pautas estratégicas. Foi escolhido por Alcolumbre para relatar temas sensíveis, como a proposta que regulamenta o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, além de ter sido relator da indicação de Flávio Dino ao STF e, mais recentemente, da indicação de Jorge Messias.

Nesse contexto, a coluna aponta que uma investigação mais aprofundada sobre Weverton representa um problema político direto para Alcolumbre, o que reforça os questionamentos sobre a decisão de manter em sigilo as visitas do “careca do INSS” ao Senado.

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