Política

RETROSPECTIVA 2025 | Governo Clécio encerra o ano com obras travadas, espaços abandonados, investigações federais e rejeição elevada

O ano de 2025 chega ao fim com um saldo negativo para o Governo do Amapá. Apesar de anúncios frequentes e promessas de modernização, a gestão do governador Clécio Luís fecha o período sem a entrega de grandes obras estruturantes, acumulando projetos paralisados, espaços públicos abandonados, dificuldades financeiras, operações da Polícia Federal e uma rejeição popular que figura entre as mais altas do país, justamente em um ano pré-eleitoral.

Obras que não avançaram ou ficaram no papel

Orla do Aturiá: Anunciada com festa em fevereiro do ano passado, após disputa judicial com a Prefeitura de Macapá, a urbanização da Orla do Aturiá foi apresentada como um marco de transformação urbana. No entanto, a obra segue em ritmo lento e teve sua entrega adiada para 2026, ano eleitoral. O atraso chama atenção, especialmente porque a Prefeitura de Macapá já concluiu a revitalização de praticamente toda a Orla da cidade, com exceção apenas desse trecho, que ficou sob responsabilidade do Governo do Estado.

Ponte sobre o Rio Jari: A ponte que deveria garantir ligação terrestre direta entre o Amapá e o Pará segue inconclusa. Dos 406 metros previstos, restam apenas grandes pilares no leito do rio, três deles danificados após serem atingidos por uma embarcação. A obra já consumiu cerca de R$ 21 milhões dos cofres públicos e, sem a conclusão, a população continua dependente do transporte por balsas.

Elevado da Rodovia Josmar Pinto (JP): Anunciado ainda em 2020, o elevado que prometia desafogar o trânsito na rotatória da Rodovia Josmar Pinto com a Rua Hildemar Maia continua sem prazo de entrega. Orçada em R$ 9,5 milhões, a obra não teve avanço significativo em 2025. O serviço de drenagem da rodovia, iniciado junto com o projeto, também não foi concluído.

Escola Bosque – Bailique: Anunciada em novembro de 2023, a Escola Bosque da Vila Progresso, no arquipélago do Bailique, deveria atender cerca de 450 alunos da zona rural de Macapá. A obra conta com R$ 8 milhões em recursos de emenda parlamentar, mas, mesmo com promessa de metodologia construtiva acelerada, não apresentou o avanço esperado ao longo de 2025.

Ponte do Anauerapucu: Próxima de completar dois anos desde o anúncio oficial, a ponte de concreto sobre o Rio Anauerapucu ainda não saiu do papel. A obra, orçada em R$ 17,2 milhões, foi apresentada como solução definitiva para substituir a atual ponte de madeira na AP-010, ligando Santana e Mazagão e beneficiando cerca de 120 mil pessoas. O atraso tem ampliado a frustração da população, que questiona a aplicação dos recursos já garantidos.

Parque de Inovação Tecnológica de Macapá: Com início anunciado em outubro de 2024 e previsão de entrega para o primeiro semestre de 2025, o Parque de Inovação Tecnológica, que funcionaria no antigo Macapá Hotel, não foi entregue dentro do prazo. O projeto previa investimento de R$ 6,5 milhões com recursos próprios do Estado.

Centro de Reabilitação do Amapá: A reforma do Centro de Reabilitação recebeu investimento de R$ 1,7 milhão do Tesouro Estadual. Em 2022, o próprio Governo informou que a obra estava 85% concluída, com inauguração prevista para dezembro de 2023. Em 2025, apesar de a reforma aparentar estar finalizada, não há data oficial para a entrega do espaço à população.

Casa do Governador (Parque Residência): Em agosto de 2024, o Governo anunciou a requalificação da antiga Casa do Governador, fechada há mais de 10 anos, que seria transformada no chamado “Parque Residência”, com restaurantes, galerias, playground e áreas de contemplação. A previsão era de entrega em um ano, em obra executada em etapa única pela Secretaria de Infraestrutura. Em 2025, o projeto não foi concluído dentro do prazo anunciado, reforçando a lista de promessas não cumpridas pela gestão.

Centro Estadual de Língua e Cultura Francesa Danielle Mitterrand: Diferente de uma obra paralisada, o Danielle Mitterrand é hoje um símbolo de abandono. O espaço, que deveria ser um centro voltado à língua e à cultura francesa, encontra-se sem funcionamento regular, deteriorado e sem qualquer política efetiva de revitalização. O local passou a ser utilizado, inclusive, por usuários de drogas, evidenciando o descaso do poder público com um equipamento cultural estratégico.

Operações da Polícia Federal e desgaste institucional

O ano também foi marcado por operações da Polícia Federal que atingiram áreas sensíveis da administração estadual. Em julho, a Operação Sinecura apurou um suposto esquema de fraude em plantões médicos na rede pública de saúde, com investigações que remontam a 2022 e cumprimento de mandados no Amapá, Pará e Santa Catarina.

Em agosto, outra operação da PF mirou suspeitas de fraude em uma licitação de R$ 11 milhões para fornecimento de merenda escolar na Secretaria de Educação, envolvendo irregularidades na entrega de produtos contratados.

No campo eleitoral, o Ministério Público Eleitoral representou contra o governador Clécio Luís e o senador Davi Alcolumbre por suposta propaganda eleitoral antecipada durante a inauguração do Centro de Radioterapia do Amapá. Segundo o MP, o evento teria sido desvirtuado de seu caráter institucional, com elementos típicos de campanha. O bordão “Eu visto a camisa do Amapá”, utilizado em diversos eventos do GEA, também foi alvo do MP.

Crise de pagamentos e o caso São Camilo

Ao longo de 2025, o Governo do Amapá também enfrentou críticas recorrentes pela dificuldade de honrar pagamentos a fornecedores, artistas e trabalhadores terceirizados. O caso mais emblemático foi o da Sociedade Beneficente São Camilo, que anunciou, em outubro, o rompimento dos contratos com a Secretaria de Estado da Saúde.

Segundo a entidade, a medida foi motivada pela falta de pagamento por serviços prestados ao longo de anos, com uma dívida acumulada que chega a R$ 98,7 milhões. Posteriormente, as atividades foram retomadas, mas o episódio expôs fragilidades graves na gestão financeira da saúde estadual.

Rejeição elevada e cenário pré-eleitoral

E esse desgaste administrativo se reflete diretamente na opinião pública. Pesquisa do instituto AtlasIntel realizada em dezembro deste ano aponta que o governador Clécio Luís registra 52% de rejeição, colocando o Amapá entre os estados com piores índices de desaprovação do país entre as capitais.

Com 2025 encerrado sob críticas, atrasos e investigações, o Governo entra em 2026 pressionado a apresentar resultados concretos para alcançar o objetivo de reeleição do governador Clécio Luís. A expectativa, nos bastidores, é de que muitas das obras hoje paradas ou em ritmo lento sejam aceleradas para entregas às vésperas da eleição, em uma tentativa de reverter o desgaste acumulado ao longo da gestão.

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