O governador do Amapá, Clécio Luís, decidiu não comparecer ao desfile da Estação Primeira de Mangueira, realizado na noite deste domingo (15), no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada de última hora após avaliação interna sobre o possível desgaste político e os questionamentos relacionados ao uso de recursos públicos em um ano eleitoral.
O Governo do Amapá destinou R$ 10 milhões à agremiação carioca, que levou para a avenida um enredo em homenagem ao estado. Desde o anúncio do investimento, a iniciativa passou a ser alvo de críticas, principalmente diante do cenário financeiro enfrentado pela gestão estadual.
Parte dos questionamentos se concentra no fato de o governo ainda enfrentar dificuldades para quitar compromissos com fornecedores, especialmente na área da saúde. Empresas que prestam serviços ao sistema público relatam atrasos nos repasses, o que tem impactado o funcionamento de unidades hospitalares e contratos essenciais.
A polêmica ganha ainda mais relevância diante do histórico recente da saúde pública no estado. Em 2025, o Amapá enfrentou uma das mais graves crises sanitárias de sua história, marcada por atrasos salariais, acúmulo de lixo hospitalar em unidades de saúde e rompimento de contratos com instituições devido à falta de pagamento.
Nos bastidores, a avaliação foi de que a presença do governador no desfile poderia ampliar as críticas e abrir margem para questionamentos jurídicos, especialmente por se tratar de um ano eleitoral. Especialistas apontam que a participação em eventos associados a investimentos públicos de grande visibilidade pode ser interpretada como tentativa de promoção pessoal, o que exige cautela por parte de gestores.
Apesar de não viajar ao Rio de Janeiro, Clécio esteve na noite de domingo acompanhando a programação carnavalesca na Praça da Bandeira, em Macapá, ao lado do senador Davi Alcolumbre. O parlamentar, que é uma das principais lideranças políticas do estado, também não compareceu ao desfile da Mangueira na capital fluminense.
A presença das autoridades no carnaval local ocorre em meio ao debate público sobre o investimento feito pelo governo estadual na escola carioca, enquanto eventos tradicionais no próprio estado seguem com orçamentos mais modestos. Apesar da ausência do governador no Sambódromo, o desfile da Mangueira manteve a homenagem ao Amapá, destacando aspectos culturais, históricos e simbólicos da região.



