Vereadores aliados de Clécio e DaLua ignoram relatório da comissão e votam contra o interesse popular

O plenário da Câmara Municipal de Macapá decidiu, nesta quinta-feira (23), dar continuidade ao processo que apura supostas infrações político-administrativas atribuídas ao vice-prefeito, mesmo após a Comissão Processante recomendar o arquivamento da denúncia.
A decisão ocorreu durante a votação da Representação nº 002/2026, apresentada pela cidadã Cleiziane Miranda da Silva. O parecer da comissão, elaborado pelo relator, vereador Alexandre Azevedo (Podemos), havia sido aprovado internamente e apontava ausência de elementos para o prosseguimento do caso.
Apesar disso, o entendimento técnico da comissão foi ignorado pelo plenário. Por 12 votos contrários ao arquivamento, 7 favoráveis e uma abstenção, os vereadores rejeitaram o relatório e determinaram a continuidade da investigação.
Nos bastidores, chama atenção o fato de que a maioria dos votos pela rejeição do parecer é composta por parlamentares alinhados politicamente ao governador Clécio Luís e ao prefeito interino Pedro DaLua, o que reforça o peso político da decisão tomada em plenário.
Com a rejeição do parecer, o processo entra agora na fase de instrução, etapa voltada ao aprofundamento das apurações. A própria Comissão Processante permanece responsável pela condução dos trabalhos, podendo realizar diligências, ouvir testemunhas, requisitar documentos e promover novas análises técnicas.
Ao final dessa fase, um novo relatório será elaborado e novamente submetido à apreciação dos vereadores, que terão a palavra final sobre o mérito da denúncia, conforme prevê o Decreto-Lei nº 201/1967.
A decisão escancara a divergência entre a avaliação da Comissão Processante e a maioria política da Câmara, além de evidenciar a influência do alinhamento político no desfecho inicial do caso.



