Política

Após demissão, Lucas Barreto fala em “vingança política” e João Furlan questiona reabertura de processo

Senador diz que decisão do CNMP busca atingir Dr. Furlan; promotor afirma que caso arquivado em 2022 foi retomado sem fato novo

A decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que resultou na demissão do promotor de Justiça João Paulo de Oliveira Furlan provocou forte reação política no Amapá. O senador Lucas Barreto classificou o julgamento como “vingança política”, enquanto o próprio promotor questionou a reabertura do processo e anunciou que recorrerá da decisão.

O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (6) e terminou com decisão unânime, por 11 votos a 0, pela demissão do integrante do Ministério Público do Amapá.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Lucas afirmou que houve “politização escancarada” no CNMP e relacionou o episódio diretamente ao cenário eleitoral.

“O que aconteceu não foi um julgamento, foi vingança política, uma manobra abjeta para tentar atingir o líder das pesquisas para o Governo do Amapá, doutor Antônio Furlan, atacando a imagem de um profissional de trajetória irretocável”, declarou.

João Furlan também se manifestou após o julgamento. Em nota pública, afirmou receber a decisão “com serenidade”, mas sustentou que o processo não deveria ter sido levado a julgamento.

Segundo o promotor, o procedimento havia sido definitivamente arquivado em 2022 e foi reaberto no final de 2025, sem fato novo ou prova superveniente. Ele também afirma que o processo foi construído sobre prova cuja ilicitude já teria sido reconhecida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo próprio CNMP em manifestações anteriores.

“Três anos depois, ao final de 2025, foi reaberto sem a apresentação de qualquer fato novo ou prova superveniente, justamente no momento em que membros de minha família passaram a integrar o cenário político-eleitoral do Estado do Amapá. Trata-se de uma circunstância que, no mínimo, suscita legítimos questionamentos”, afirmou João.

Carbono Oculto e Amprev

Lucas Barreto também levantou outro possível pano de fundo para o caso. Segundo o senador, João Furlan investigava um esquema relacionado à importação de combustíveis no Amapá, citado no contexto da Operação Carbono Oculto.

“O promotor João Furlan investigava o esquema que causou o prejuízo de mais de R$ 1 bilhão na importação de combustível no Amapá, escancarado pela Operação Carbono Oculto”, declarou Lucas, que também relacionou o episódio a regimes especiais concedidos pelo atual Governo do Amapá.

O senador citou ainda as aplicações de recursos da Amapá Previdência (Amprev) no Banco Master, outro caso que tem provocado repercussão política no Estado.

As declarações de Lucas sobre eventual relação entre esses episódios e a demissão representam a avaliação do senador e, por si só, não comprovam vínculo entre as investigações citadas e a decisão do CNMP.

Reação no Senado e recursos

João Furlan afirmou que a decisão tem natureza administrativa e que utilizará os recursos cabíveis para tentar revertê-la.

“Exercerei todos os recursos administrativos e judiciais cabíveis, convicto de que a ordem jurídica será restabelecida”, declarou.

Lucas Barreto, por sua vez, afirmou que pretende levar a reação ao caso para o Senado Federal.

“Não iremos nos calar. Seguiremos enfrentando de frente cada uma dessas injustiças no Senado Federal”, concluiu.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo