Política

Nikolas reúne milhares em Macapá e faz críticas a Alcolumbre em ato na Praça do Araxá

Mobilização lotou trecho da orla neste domingo (13); em entrevista exclusiva ao 1Norte, deputado criticou o presidente do Senado e afirmou que houve tentativa de dificultar a realização do protesto

Milhares de pessoas, em sua maioria vestidas de verde e amarelo, participaram, na tarde deste domingo (13), da manifestação liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em Macapá. A mobilização lotou a Praça do Araxá, na orla da capital amapaense, e teve como principal alvo político o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

O ato ocorreu em meio a uma disputa pela utilização dos espaços da orla e reuniu apoiadores de Nikolas, além de outras lideranças políticas. Durante a manifestação, foram registrados gritos de ordem contra Alcolumbre e também contra o governador do Amapá, Clécio Luís.

Em entrevista exclusiva ao Portal 1Norte, Nikolas avaliou a mobilização como vitoriosa e acusou adversários políticos de tentarem dificultar a realização do protesto.

“Parece que Davi Alcolumbre acha que o estado do Amapá tem dono. Estão fazendo de tudo para que essa manifestação, que deveria ser pacífica, não seja”, afirmou.

Nikolas também direcionou críticas ao presidente do Senado por sua posição diante dos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e citou as investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

“Não sou eu que ficava fumando charuto, tomando uísque com Vorcaro. Não sou eu que agora apareci no papel do Ciro Nogueira com nomes e valores. O nome do Alcolumbre apareceu. Não sou eu que estou travando o impeachment de um ministro do STF”, declarou o deputado.

As declarações representam acusações políticas feitas por Nikolas durante a entrevista. Investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro vêm alcançando diferentes autoridades e agentes políticos, mas a existência de menções em relatórios ou documentos de investigação, por si só, não representa comprovação de prática criminosa.

Disputa pelo espaço da manifestação

A manifestação inicialmente havia sido anunciada por Nikolas para a Praça Jacy Barata Jucá. Posteriormente, a mobilização foi direcionada para a região da Curva do Araxá.

Antes do início do protesto, apoiadores do governador Clécio Luís já ocupavam parte da área da orla para uma mobilização política que, segundo informações divulgadas no local, teria sido articulada pelo prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua.

A coincidência dos atos elevou a tensão política durante a tarde. Mesmo com grupos de campos políticos adversários ocupando a mesma região, a manifestação liderada por Nikolas foi mantida e reuniu milhares de participantes.

Também presentes em Macapá, o vereador de São Paulo Lucas Pavanato e a ativista Eduarda Campopiano afirmaram que houve ações para inviabilizar a realização do protesto. Os dois citaram dificuldades para utilização da Praça Jacy Barata e, posteriormente, a presença de grupos governistas na Curva do Araxá.

Segundo os aliados de Nikolas, a mobilização dos apoiadores garantiu a realização do evento apesar dos impasses registrados ao longo do dia.

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) também participou da mobilização ao lado de Nikolas.

Alcolumbre no centro dos protestos

A pressão sobre Davi Alcolumbre aumentou nas últimas semanas entre parlamentares e movimentos ligados à direita. Durante os atos de 7 de Setembro, o presidente do Senado já havia sido alvo de protestos pela decisão de não pautar pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.

Na ocasião, Nikolas anunciou publicamente que iria a Macapá para realizar uma manifestação na base eleitoral de Alcolumbre.

O protesto deste domingo ocorre também em meio à crise institucional envolvendo o STF e às investigações relacionadas ao Banco Master.

Na última semana, o presidente do Supremo, Edson Fachin, adotou medidas relacionadas às apurações envolvendo ministros da Corte e processos ligados ao caso Banco Master.

Documentos e reportagens sobre as investigações também mencionam diferentes políticos, inclusive Davi Alcolumbre, mas as referências estão inseridas em procedimentos ainda sob apuração e não significam, isoladamente, responsabilização criminal.

“Não precisei dar R$ 50 para ninguém”

Ao comentar a quantidade de pessoas que compareceu ao ato em Macapá, Nikolas agradeceu aos participantes e encerrou a entrevista fazendo outra provocação política.

“Vai ser lindo, vai ser maravilhoso. E o melhor de tudo: eu não precisei dar R$ 50 para ninguém estar aqui. Todo mundo veio porque ama o Brasil”, afirmou.

A mobilização ocupou a Praça do Araxá e transformou a orla de Macapá em um dos principais pontos da disputa política nacional neste domingo, com Alcolumbre, o STF e as investigações envolvendo o Banco Master no centro dos discursos.

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