Economia

Alcolumbre impõe rito lento e adia debate sobre fim da escala 6×1 no Senado

A proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 deverá enfrentar uma tramitação mais lenta no Senado Federal. Apesar da pressão popular e da aprovação da matéria pela Câmara dos Deputados no último dia 27 de maio, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou nesta terça-feira (2) que a PEC 221/2019 não seguirá diretamente para votação em plenário e precisará passar pelas comissões da Casa.

A decisão reduz as chances de uma análise rápida da proposta, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de descanso para cada cinco dias trabalhados, substituindo a atual escala 6×1.

“Essa proposta vai ter que tramitar nas comissões”, declarou Alcolumbre durante sessão no Senado.

O presidente da Casa argumentou que os senadores não devem apenas “carimbar” um texto aprovado pela Câmara e defendeu um debate mais longo sobre a matéria. Segundo ele, o Senado deve buscar aperfeiçoamentos na proposta e discutir o tema “com calma, sem açodamento, sem pressa”.

A sinalização de Alcolumbre indica que a PEC poderá permanecer por meses em discussão antes de uma eventual votação em plenário. O senador informou que o cronograma de tramitação ainda será debatido na próxima semana com líderes partidários e com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar.

Ao justificar a demora, Alcolumbre afirmou que o Senado precisa ouvir todos os setores envolvidos e criticou a pressão exercida por redes sociais para que a proposta seja votada rapidamente.

“Não pode uma rede social, um ou outro ator cobrar do Senado que a matéria chegue de manhã e que a gente vote de tarde”, afirmou.

A fala ocorre em um momento de forte mobilização de trabalhadores e movimentos sociais em defesa do fim da escala 6×1, considerada por seus defensores um modelo que compromete a qualidade de vida e o convívio familiar dos empregados.

Durante o mesmo discurso, Alcolumbre voltou a demonstrar irritação com críticas recebidas após não ter feito a leitura do requerimento para criação da CPMI do Banco Master. O presidente do Senado afirmou ter sido alvo de ataques de parlamentares de diferentes espectros políticos e classificou a proposta de investigação parlamentar como uma tentativa de transformar o caso em “palanque eleitoral”.

“Está todo mundo investigando isso. Querem abrir mais uma CPI para fazer palanque eleitoral. Esse é o problema”, declarou.

O senador também criticou o clima de polarização política no país e afirmou que o debate público tem sido excessivamente dominado por disputas eleitorais.

Com a posição adotada pela presidência do Senado, a expectativa de aprovação rápida da PEC do fim da escala 6×1 perde força, e a proposta deverá enfrentar um caminho mais longo antes de chegar à decisão final dos senadores.

Fonte: Agência Senado

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