Crise na coleta de lixo pode causar surto de dengue em Macapá, diz especialista
A crise na coleta de lixo registrada em Macapá ao longo do último mês pode favorecer um surto de dengue no município. O alerta é do enfermeiro e especialista em gestão e vigilância sanitária Gilmar Domingues, que aponta o cenário como preocupante diante do aumento dos indicadores de proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Segundo ele, o acúmulo de resíduos nas vias públicas e as falhas na coleta regular contribuem diretamente para a formação de criadouros do mosquito transmissor da dengue, especialmente em um período considerado propício para a disseminação da doença.
“Principal causa do aumento do número de pessoas doentes com dengue numa cidade é não levar a sério a coleta de lixo e também o armazenamento adequado, assim como os cuidados da população com seus quintais”, afirmou.
Desde que assumiu a gestão municipal, o prefeito interino Pedro DaLua tem enfrentado dificuldades em manter a regularidade no serviço de coleta de lixo em Macapá, o que tem causado acúmulo de rejeitos nas ruas da cidade e muita reclamação por parte da população.
Domingues destaca que os dados da décima semana epidemiológica indicam aumento dos índices de proliferação do Aedes aegypti entre 2025 e 2026, com transição de baixo para médio risco e possibilidade de avanço para alto risco caso não haja controle efetivo.
De acordo com o especialista, áreas da zona sul de Macapá apresentam índice médio de infestação em torno de 6,7%, o que acende alerta para a evolução da doença no município.
Ele também relaciona o aumento dos indicadores ao crescimento do lixo doméstico acumulado, agravado pela irregularidade na coleta em diferentes bairros da capital.
“Houve um aumento de quase 50% na fonte de transmissão do Aedes aegypti, que é o lixo doméstico. Isso ocorre em consequência da falta da coleta adequada desse lixo na frente das casas”, explicou.
O especialista ressalta que a gestão municipal tem papel central na execução da coleta de lixo, embora a prevenção também dependa da participação da população na eliminação de recipientes que possam acumular água.
Gilmar Domingues alerta ainda para os sintomas da dengue, que incluem febre, dores no corpo e manchas na pele. Ele orienta que, ao identificar sinais da doença, a população procure atendimento em unidades básicas de saúde para diagnóstico e acompanhamento.



