Quadrinho amapaense “O Menino e a Baleia” leva arte do Amapá à competição nacional
A produção independente de quadrinhos do Amapá acaba de conquistar um importante espaço no cenário nacional. A HQ “O Menino e a Baleia”, assinada pelo artista Lucas Bitencourt, de 29 anos, conhecido como Saruzilla, foi indicada na categoria quadrinho infantil do tradicional Troféu Angelo Agostini, uma das principais premiações dedicadas exclusivamente aos quadrinhos no Brasil.
A votação popular já está aberta e segue até o dia 25 de maio, movimentando leitores e fãs da nona arte em todo o país.
Lançada em 2025, a obra marca a primeira publicação profissional do artista, que já atua há anos criando histórias em fanzines e plataformas digitais. Agora, ele celebra a indicação como um marco importante na trajetória.
“Ser selecionado como finalista em si já é uma vitória. A indicação já é uma honra tremenda e uma recompensa pelo trabalho árduo que é produzir um quadrinho, principalmente de forma independente”, destaca Saruzilla.
Inspiração amazônica e criação autoral
A ideia para a HQ surgiu em 2024, durante uma visita ao Museu Sacaca, em Macapá. Foi lá que o artista teve contato com o esqueleto de uma baleia jubarte exposto no espaço, elemento que serviu de ponto de partida para a narrativa.
“Os primeiros rascunhos foram inspirados pela baleia jubarte que está exposta no Museu Sacaca. A história passou por mudanças, mas explorar a fauna brasileira, principalmente aqui na nossa região, sempre foi um interesse meu”, explica.
A HQ acompanha um menino curioso que se encanta ao observar uma baleia no Rio Amazonas. Sem uso de falas, a obra aposta na força das imagens para construir emoção e narrativa, mergulhando o leitor em uma experiência visual sensível e simbólica.
Apesar de ambientada em referências do arquipélago do Bailique, a história é inteiramente ficcional. O próprio autor reforça que o protagonista “menino” é um personagem construído dentro de um universo de fantasia e imaginação.
Cena dos quadrinhos no Amapá ganha força
A indicação também coloca em evidência o crescimento da cena de quadrinhos no Amapá, que vem se consolidando de forma colaborativa e criativa. Artistas locais, coletivos e eventos têm fortalecido o setor, mesmo diante de desafios de visibilidade no cenário nacional.
Entre os nomes e iniciativas citadas pelo próprio Saruzilla estão artistas como Thai Rodrigues, além do coletivo AP Quadrinhos e a participação no Circuito Amazônico de Quadrinhos, que percorre a região Norte promovendo encontros e divulgação da produção autoral.
“Nosso principal objetivo no momento tem sido contar nossas próprias histórias e resgatar o imaginário popular de uma visão estadunidense do que é uma história em quadrinhos”, afirma o artista.
Influências que moldam uma trajetória
A relação de Saruzilla com os quadrinhos começou cedo, ainda na infância, com os tradicionais gibis de banca, como os da Turma da Mônica. Ao longo dos anos, ele também se aprofundou em obras e autores que ajudaram a expandir sua visão artística.
Entre as influências estão nomes como Angeli, Bill Watterson, Takehiko Inoue e Mike Mignola.
“Esses autores me mostraram as diversas maneiras de contar histórias através do desenho. Isso me tomou de corpo e alma”, comenta.
Futuro em construção
O artista já mantém novos projetos em andamento. No entanto, prefere manter o suspense sobre os próximos passos.
“Tenho outros quadrinhos em produção para o futuro, mas vou deixar para falar sobre eles quando o projeto estiver mais solidificado”, diz.
Enquanto isso, “O Menino e a Baleia” segue ganhando leitores e visibilidade, levando a força da produção amapaense para uma das premiações mais respeitadas dos quadrinhos brasileiros, e mostrando para o Brasil que na Amazônia nascem grandes histórias.



