Baixada do Ambrósio tem cerca de R$ 100 milhões previstos para urbanização, mas comunidade ainda enfrenta precariedade
Projeto de requalificação começou a tramitar em 2023 e foi selecionado pelo Novo PAC em 2024; incêndio de 24 de agosto voltou a expor vulnerabilidade das famílias
A Baixada do Ambrósio, em Santana, convive há anos com problemas de infraestrutura, moradia precária e vulnerabilidade social, apesar de já existir uma previsão de aproximadamente R$ 100 milhões para a requalificação urbana da comunidade.
Os recursos estão vinculados a uma proposta apresentada ainda em 2023, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento, o Novo PAC. O projeto foi identificado pelo número 56000006377/2023 e tem como foco a urbanização da Comunidade do Ambrósio.
Em maio de 2024, a proposta foi oficialmente selecionada pelo Ministério das Cidades dentro do programa Periferia Viva – Urbanização de Favelas, com valor de R$ 99.719.560 previsto para Santana, por meio de financiamento com recursos do FGTS.
A documentação mostra que a tramitação avançou também no âmbito municipal. Em junho de 2024, a Prefeitura de Santana comunicou à Caixa Econômica Federal o aceite para continuidade da operação.
No documento encaminhado ao banco, o município detalhou que o projeto de Requalificação Urbana da Comunidade do Ambrósio previa R$ 99.918.999,12 em financiamento, além de R$ 199.439,12 de contrapartida, chegando a um investimento total de R$ 100.118.438,24.
Na ocasião, a Prefeitura também informou que o projeto de lei necessário à operação estava sendo elaborado e que outras providências administrativas estavam em andamento.
Recursos previstos, realidade precária
Apesar do volume expressivo de investimentos previstos, a realidade atual da Baixada do Ambrósio ainda é marcada por dificuldades estruturais.
O incêndio registrado no dia 24 de agosto tornou essa situação ainda mais evidente. O sinistro destruiu moradias, deixou famílias em situação de extrema vulnerabilidade e reacendeu as cobranças por soluções definitivas para a comunidade.
Moradores atingidos pelo fogo relatam dificuldades para reconstruir as casas e reorganizar a vida depois da tragédia. Além das perdas provocadas diretamente pelo incêndio, permanecem problemas antigos relacionados à qualidade das moradias, infraestrutura urbana e condições de segurança.
O contraste chama atenção porque o projeto de urbanização já tramita há mais de dois anos.
Em 2023, foi apresentada a proposta para a comunidade. Em 2024, o Ministério das Cidades confirmou a seleção do empreendimento e a Prefeitura de Santana deu prosseguimento à operação junto à Caixa Econômica Federal. Mesmo assim, em 2026, a população continua esperando que o investimento previsto se transforme efetivamente em obras.
Incêndio aumenta cobrança por respostas
A tragédia de agosto também aumentou a pressão sobre o poder público para que apresente respostas sobre o estágio atual do projeto.
Entre as principais dúvidas estão a situação da contratação, o cronograma de execução das obras e quais medidas ainda precisam ser cumpridas para que o investimento de aproximadamente R$ 100 milhões chegue efetivamente à comunidade.
Os documentos analisados pelo Portal 1 Norte comprovam a existência da proposta desde 2023 e sua seleção oficial em 2024. Eles não demonstram, porém, que todo o valor tenha sido efetivamente desembolsado ou que as obras já tenham começado.
Enquanto os trâmites seguem, a Baixada do Ambrósio permanece convivendo com uma realidade de vulnerabilidade que ficou ainda mais evidente depois do incêndio de 24 de agosto.



