Paralisação de serviços de alta complexidade deixa pacientes em risco no AP, segundo reportagem
Uma grave crise na saúde pública do Amapá foi desencadeada após a interrupção repentina de atendimentos de alta complexidade nos hospitais São Camilo e São Luís, em Macapá. Segundo reportagem do site Bambam News, a situação teve início após a rescisão unilateral do contrato da Sociedade Beneficente São Camilo (SBSC) com o Governo do Estado, o que resultou na suspensão de procedimentos essenciais e colocou o sistema de saúde em estado de alerta máximo.
De acordo com a matéria, serviços como cirurgias cardíacas, procedimentos de hemodinâmica, cirurgias bariátricas, gerais e atendimentos em nefrologia foram paralisados, gerando um risco assistencial imediato à população. A gravidade do cenário levou à atuação do Ministério Público do Amapá (MP-AP) e à elaboração de um Plano de Contingência emergencial por parte da Secretaria de Estado da Saúde (SESA).
Ainda conforme apuração do Bambam News, a SESA encaminhou ao MP-AP, no dia 21 de outubro, documentos oficiais detalhando a dimensão da crise. O despacho é assinado pela coordenadora do Núcleo Estadual de Gestão Estratégica da Segurança do Paciente (NEGESP), Macelir de Assunção Kobayashi, em resposta a uma requisição do órgão ministerial. Entre os anexos estão listas nominais de pacientes afetados e estratégias para tentar reduzir os impactos da paralisação.
Filas de espera
A reportagem revela um quadro considerado alarmante. Até o dia 20 de outubro, dezenas de pacientes aguardavam procedimentos classificados como urgentes. Somente para cateterismos cardíacos de emergência, havia 79 pessoas na fila de espera. As informações, extraídas do Sistema Nacional de Regulação (SISREG), incluem dados como nome, idade, município de origem e o CID de cada paciente.
A maioria dos pacientes apresenta diagnósticos graves, como infarto agudo do miocárdio e angina instável, muitos deles idosos e sem previsão para realização de exames fundamentais para definição de tratamento.
Outros levantamentos anexados ao processo indicam cirurgias já autorizadas, mas não realizadas. Conforme divulgado pelo Bambam News, são nove cirurgias cardíacas pendentes, incluindo procedimentos de troca de válvula e revascularização miocárdica. Também constam oito cirurgias bariátricas, seis cirurgias oncológicas e mais de 40 procedimentos gerais e ginecológicos, como retirada de vesícula e histerectomias, todos suspensos.
Risco iminente
O Plano de Contingência elaborado pelo NEGESP admite de forma explícita o risco imediato à vida dos pacientes. O documento aponta “situações de risco grave e iminente de morte”, especialmente nas áreas de cirurgia cardíaca e hemodinâmica, para as quais não existe serviço substituto habilitado no estado.
Conforme destacado na matéria, o plano alerta que a interrupção desses atendimentos aumenta diretamente a mortalidade por infarto agudo do miocárdio. Casos como dissecção de aorta, choque cardiogênico e falhas de marcapasso são classificados como emergências altamente dependentes de resposta rápida, cuja ausência pode resultar em mortes evitáveis.
Medidas emergenciais e judicialização
Para evitar um colapso ainda maior, a SESA instituiu um Gabinete de Crise e iniciou a redistribuição forçada dos atendimentos, segundo detalha o Bambam News. Cirurgias gerais e bariátricas passaram a ser encaminhadas ao Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL). Pacientes de nefrologia foram direcionados à UNINEFRO, enquanto atendimentos obstétricos foram transferidos para o Hospital Bem Nascer e a Maternidade Mãe Luzia. Já as cirurgias ginecológicas foram realocadas para o Hospital Universitário da Unifap e o Hospital Regional de Porto Grande.



