Meio Ambiente

Focos de calor aumentam 400% no Amapá no início da estiagem e acendem alerta para período seco

Estado entrou no período de menor ocorrência de chuvas; monitoramento por satélite já confirmou ocorrências de incêndios e tendência exige atenção nos próximos meses

O Amapá registrou um crescimento de aproximadamente 400% no número de focos de calor neste início de agosto, em comparação com o mesmo período do ano passado. O avanço ocorre justamente com a chegada da estiagem, quando a redução das chuvas e o ressecamento da vegetação aumentam o risco de queimadas e incêndios florestais.

Segundo o meteorologista Jeferson Vilhena, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), o número de registros monitorados no estado saltou de cerca de 20, no mesmo período de 2025, para mais de 100 neste ano.

Os números do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), também apontam aumento expressivo das ocorrências. O instituto realiza o acompanhamento por meio de satélites e disponibiliza informações atualizadas sobre focos ativos e risco de fogo em todo o país.

Apesar do aumento, os órgãos de monitoramento destacam que um foco de calor detectado por satélite não significa, necessariamente, que exista um incêndio florestal naquele ponto. A identificação indica uma anomalia térmica, que posteriormente pode ser analisada por imagens e cruzamento de informações.

No Amapá, entre quatro e cinco das ocorrências monitoradas neste início de período seco já teriam sido confirmadas, por meio de imagens de satélite, como incêndios.

Período mais crítico ainda está por vir

O cenário exige atenção porque agosto representa apenas o começo da redução mais intensa das chuvas no estado. Historicamente, os meses seguintes concentram condições mais favoráveis à propagação do fogo, principalmente em áreas de vegetação seca, campos, propriedades rurais e locais onde ocorre uso irregular do fogo.

O próprio INPE mantém acompanhamento diário do risco de fogo no território brasileiro, classificando as áreas em níveis que vão de mínimo a crítico. O sistema continua sendo atualizado ao longo de agosto e permite acompanhar a evolução das condições ambientais durante a estiagem.

A elevação dos registros logo no início da estação seca reforça a preocupação de que o número possa continuar crescendo à medida que as chuvas diminuam.

Os dados do INPE são obtidos por diferentes satélites. Para comparações históricas, o instituto utiliza um satélite de referência, metodologia que permite avaliar a evolução dos focos ao longo dos anos sem distorções causadas pela entrada de novos equipamentos no sistema de monitoramento.

Prevenção

Diante do avanço das ocorrências, órgãos estaduais intensificam medidas de prevenção, monitoramento e conscientização da população para evitar queimadas que possam fugir do controle.

Entre as principais preocupações estão a utilização do fogo para limpeza de terrenos e áreas rurais, a queima de lixo e outras práticas que, durante a estiagem, podem provocar incêndios de grandes proporções.

Além dos danos à vegetação e à fauna, incêndios e queimadas também podem comprometer a qualidade do ar, provocar problemas de visibilidade em rodovias e atingir propriedades e comunidades.

O alerta ganha ainda mais importância porque a estação seca está apenas começando. A evolução dos próximos meses deverá ser acompanhada pelos sistemas de monitoramento do Iepa e do INPE, além dos órgãos ambientais e das equipes responsáveis pela prevenção e combate aos incêndios no Amapá.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo