Cesta básica em Macapá custa R$ 713 e acumula alta de 9,54% em 2026

Apesar da pequena queda registrada em julho, alimentos básicos estão 7,03% mais caros que há um ano; trabalhador que recebe salário mínimo precisa trabalhar quase 97 horas para comprar a cesta
A cesta básica de alimentos em Macapá apresentou leve queda em julho, mas continua pesando mais no orçamento das famílias amapaenses em 2026. O conjunto de produtos essenciais custou R$ 713,29 na capital do Amapá no último mês, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Entre junho e julho, o preço da cesta em Macapá recuou apenas 0,58%. A redução, porém, não foi suficiente para compensar as altas anteriores. No acumulado de janeiro a julho, o custo dos alimentos básicos na capital amapaense já aumentou 9,54%. Na comparação com julho de 2025, a elevação chega a 7,03%.
O levantamento mostra ainda o impacto direto dos alimentos sobre quem vive com o salário mínimo. Em Macapá, um trabalhador remunerado pelo piso nacional precisou trabalhar 96 horas e 49 minutos em julho apenas para adquirir os produtos que compõem a cesta básica.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto previdenciário, a cesta comprometeu 47,57% da renda do trabalhador. Ou seja, praticamente metade do rendimento líquido é necessária apenas para garantir o conjunto de alimentos considerados essenciais.
Macapá tem uma das menores quedas do país
O comportamento registrado em Macapá chama atenção quando comparado ao restante do Brasil. Entre junho e julho, o valor da cesta caiu em 26 das 27 capitais pesquisadas. A única alta ocorreu em São Luís, de 0,30%.
Enquanto Macapá teve redução de somente 0,58%, outras capitais apresentaram quedas bem mais acentuadas, como Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%), Palmas (-7,38%) e Rio de Janeiro (-7,12%).
Apesar do recuo mensal, a tendência de alta permanece evidente no acumulado do ano. Todas as 27 capitais pesquisadas registram aumento da cesta básica entre janeiro e julho de 2026, com percentuais que vão de 4,28%, em Campo Grande, a 15,68%, em Porto Velho.
Tomate cai no mês, mas acumula forte alta em Macapá
Alguns produtos tiveram comportamento particular na capital amapaense. O tomate, por exemplo, ficou 2,99% mais barato entre junho e julho em Macapá. No entanto, quando considerada a comparação dos últimos 12 meses, o produto acumula alta de 19,80%, a maior entre todas as capitais pesquisadas.
O açúcar apresentou movimento contrário. Macapá registrou em julho a maior alta do país no preço do produto, de 7,53%. Mesmo assim, na comparação de 12 meses, o açúcar ficou mais barato em todas as capitais brasileiras.
Já o leite integral teve redução de 0,49% em 12 meses em Macapá, uma das apenas duas capitais onde o produto ficou mais barato nesse período, ao lado de Campo Grande.
Cenário nacional
Em julho, São Paulo continuou com a cesta básica mais cara do país, no valor de R$ 915,01, seguida por Cuiabá (R$ 881,27), Florianópolis (R$ 860,73) e Rio de Janeiro (R$ 855,37). Entre as capitais do Norte e Nordeste, que possuem composição diferente da cesta, os menores valores foram registrados em Aracaju (R$ 594,07), Maceió (R$ 618,60), Natal (R$ 631,51) e João Pessoa (R$ 644,04).
Na média das 27 capitais, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo comprometeu 49,34% da renda líquida para adquirir os alimentos básicos em julho. O tempo médio de trabalho necessário para comprar a cesta foi de 100 horas e 24 minutos.
A Pesquisa Nacional da Cesta Básica passou a abranger as 27 capitais brasileiras a partir de 2025, após parceria entre Dieese e Conab ampliar a coleta, que anteriormente contemplava 17 cidades.



